Admirar é um verbo que sorri. Afinal, assim como o sorriso, não tem causa analítica ou bem definida. É, por si só entendida. Que nem saudades, é auto-explicativa. É estranho usar verbo para descrevê-la, no entanto, já que admiração é sentimento (atemporal).
Confesso. Faz tempo já quis escrever sobre ela, mas havia certa neblina no tema. A diferença é que agora aceitei a sua natureza difusa e, quero sim, propô-la como verbo, já que mantêm-se mudando.
Admirar não exige parentesco, amizade íntima ou relacionamento. Aqueles que admirei durante a vida traduzem muito o sou e o que fui, mostram a transformação que passo. Todos os dias. A verdade é que é rara a admiração constante, aquela que temos como referência por toda a vida...A não ser citemos pais, amizades raríssimas ou então pessoas inquestionáveis (como Martin Luther King).
A admiração transforma. É verbo sim, que te faz reparar em quem está do lado ou à distância por algum motivo mais nobre...Afinal, nunca haverá admiração real por alguma coisa, a não ser que represente um feito de alguém. Quando se admira, o sujeito é sempre um alguém.
A falta de admiração também demonstra personalidade. Quanto mais ligações estabelecemos com referências nos outros, maior a interação, melhor a harmonia com o meio, menor o egoísmo. Admirar é aceitar que o meio e os outros possuem características e atitudes notáveis e dignas da minha (e da sua) atenção.
Eu gostaria de ser o melhor produto dos fatores, de conviver com o que cada um tem de melhor.
Admirar é fator essencial para se receber o que há de bom. É o que quero em casa, trabalho,
...relacionamentos. Quem não admira de forma sincera não dá espaço pro outro, pras alegrias.
Desejo que todos aqueles que passarem pela minha vida sejam, de fato, dignos de admiração. Se não forem dignos da minha própria, de quem seriam?
Admiração é um tema muito mais nobre do que solidão.
Exige outra visão, outra perspectiva do amor.
By Gi Murara