terça-feira, 30 de novembro de 2010

Incert(ezas)

Quando tomaras, esperanças, indecisões, medos, conflitos, qualquer peso na cosciência ou indefinições tomam espaço, é aí que o incerto toma conta. É como me disse um moço que trabalhava numa obra uma vez, comentando se havia sido plantada grama em um canteiro: “Bem bem prantada não tá, mas que foi prantada foi, eu vi o menino aí”. Era pra ser simples.
(Pelo menos, é fato que a sensação de incerteza do hoje recebe o futuro com ares de indefinição e insegurança)
Bobagem. Aprendi a combater minhas incertezas justamente quando joguei tudo pro alto. Ao invés de insistir em alcançar o errado por vários meios, resolvi mudar o fim...não o começo.Em outras palavras, fazer de outra forma pode resolver...ou não! Às vezes a solução mesmo é fazer outra coisa.
Parei de insistir na consultoria, por exemplo. Mudei de “praia” para ver se realmente aquele hábito ruim era meu e tinha conserto, ou se era maior que eu. Hoje, no varejo, vejo que é a natureza do setor. Ainda bem, tive abstração mental para no meio da nuvem de problemas me tocar que o errado era o que estava sendo feito. Estava cansada de ouvir propostas de fazer o errado de formas inovadoras. Foi então que joguei tudo pro alto.
(E não é a intenção aqui usar a expressão “jogar tudo pro alto” no sentido ruim da palavra. Não disse “desvencilhe-se dos problemas” e ponto final. Keep reading!)
Ninguém duvida que o que de fato pensarmos em algo faz com que aquilo se concretize, não só pelo esforço mental que fazemos, mas pela maneira com que acabamos nos condicionando. Ok, o futuro é incerto...caso contrário, se chamaria por outro nome (lê-se: presente ou passado). Mas é o incerto que dá chance de ação. Nesse sentido, o incerto tem sim grau de parentesco com a verdade.
Ou seja, a menor das incertezas da vida é que nem sempre vamos estar certos, pressuposto para que a verdade venha à tona.
Complicações à parte, o vício começa é na incerteza. O incerto é natural, assim como é natural ter a chance de escolher diferente amanhã do que escolho hoje. Incerteza, porém, é um comportamento insistente por parte do seu/meu ego medroso, que, por falta de foco no que dá a chance de o futuro ser diferente, faz com que o futuro opte pelo hoje, e que você não opte por mais nada.
Depois que joguei o que julgo errado pro alto, sobraram fichas pra apostar naquilo que nuuuunca imaginei. Eu, no varejo! (PS: E agora, vendendo...!)
Quando vendi o primeiro refrigerador, foi lá que caí em mim. Alguns meses atrás, escolhi o modelo de futuro mais diferente possível do hoje que estava disponível. Hoje, o risco que assumi me dá segurança de que, desta vez, optei em fazer a coisa certa.
...
Nesse vai-e-vem da vida, a forma de se fazer já mudou muito. O triste é que a tecnologia “empoderou” tanto a forma que, de certa forma, restringiu o conteúdo.
Não há como pensar na coisa certa se a única coisa que se faz é reduzir incertezas.
Agora sim. Jogue tudo isso pro alto. É uma maneira bem mais gentil de receber o futuro.
(...) by Gi Murara

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Nó.

Aquela dor que a gente sente quando aperta o nó do músculo que dói, esta sim, é que nem perdão. Quando o corpo está travado, insiste na dorzinha constante por horas e horas. Você se estica, estrala, faz de tudo, ela se mantém. Até que um aperto ou agulhada certeira acertem bem no eixo da dor, só então a dor resolve se dissolver, ou o músculo, relaxar. O efeito que tem a agulha da acupuntura, por exemplo. É como o perdão. Por algum motivo, a gente se sente contorcido, exposto. Pouco à vontade na vida. Pouco disposto a perceber que o mundo é assim mesmo, as cidades grandes, as vilas pequenas e, as pessoas...egocentristas. Já se sentiu assim?
Voltando ao ponto principal, aperto no músculo é que nem perdão...A mente também possui certos nós, e perdoar é o que acontece no nó da garganta que de repente liberta e tranquiliza. Pode ser perdoar alguém, mas esta nem sempre é a questão  - pode ser perdoar a si mesmo.
Aceitar-se ou aceitar uma nova situação, sem prender-se ao passado, parece um obstáculo natural do ser humano. Quem nunca olhou para trás para comparar o que foi com o que é, por favor, atire a primeira pedra. Me lembro de um recado que escrevi uma vez: “Pelo que foi. Pelo que é. Pelo que será.” Doces sonhos, foram à medida que fui encontrando a realidade.
Realidade é como a grama do vizinho, sempre mais verde. De fora, posso achar a sua ótima e a minha péssima. Tudo depende do grau do egocentrismo.
Um filme de memória pode ser um nó: mantém aquilo que houve constante, como se tivesse sido hoje mesmo.
Um ditado, um filme, uma mensagem, ou um bilhete dentro do biscoito chinês podem ser o estímulo da agulha no nervo que, depois da dor intensa, finalmente traz paz e leveza. É como a aceitação, dissipa o nó dentro de você.
O que escrevo pode doer ou parecer um nó...Mas tente ver mais à distância. Qualquer desilusão ou decepção que se carrega é um nó que pesa, complica, e faz o cérebro identificar milhares de possibilidades que te expliquem a situação atual.
Simplifique suas ligações. Crie novas razões.
É como um novo lema, esse sim, constante.
(...) by Gi Murara

domingo, 28 de novembro de 2010

.Trust.

Entre uma coisa e outra, um ponto e outro, há sempre a confiança na história. Na verdade, sempre houve. Quando o escambo era a principal forma de troca, a confiança também estava presente – e tinha impacto no dia-a-dia.
Hoje, confiança is a matter of having or not. Confiar no seu chefe, na sua perspectiva de carreira ou no amor (por mais que ele não venha a ser seu marido) é básico para que se siga em frente. Há confiança ou não há, tão certo quanto haver perspectiva ou não.
A confiança no âmbito humano é ousada, vai além. O trust das relações humanas gerou milhares de nervos finíssimos que constróem, entre si, inúmeras possibilidades de motivos e uma complexidade a perder de vista. Se antes a confiança era assegurada pela honra da palavra humana, hoje temos empresas assegurando o fato de o contratante receber o benefício garantido além da honra do contratado, que já passou despercebida.
Não é apenas o mérito de assegurar ou não qualquer relação de risco. É a confiança que determina o comportamento, seja ele pessoal, organizacional ou até mesmo num contexto ampliado, como é a nação ou o globo.
Nunca, porém, foi tão fácil confiar e difícil desconfiar. Quando o contrato de escambo baseado na palavra tinha poucas chances de dar certo, era mais fácil perceber a tal da desconfiança. Mas o computador, a mídia, a publicidade e a informação nunca foram tão imparciais na construção de ferramentas que – no geral – constróem confiança de que a informação é verdadeira, o produto útil, ou o consumo necessário.
Aliás, confiança nunca foi um aspecto tão matematizado. A confiança construída que mencionei – construída pela tecnologia e ferramentas – são aspectos que julgamos palpáveis e necessários para que se aposte em um produto ou negócio.  Confiança construída é um critério “nítido”. Confiança pessoal se adquire aos poucos.
 Veja a confiança nas bolsas de valores, por exemplo: as revendas de títulos e a presença de seguros nas operações nunca foi tão alta. Os especialistas, jornais e instituições financeiras nunca divulgaram tantas informações tão específicas sobre o desempenho das economias - mas pessoalmente não há quem afirme que exista confiança num esquema de lógica aleatória e sobreprotegida.
A verdade é que confiar nunca pareceu tão seguro, fácil e barato.

Porém, se confiar à primeira vista é mais fácil, pode-se inferir que desconfiar é mais frequente,... 
Pessoalmente, nunca foi tão fácil acionar a desconfiança na palavra e acionar a confiança em documentos, fatos publicados, mídia, lei ou instituição de referência.

Eu quero acreditar em você, não no que vejo.
Se a confiança está entre dois pontos, um deveria mostrar o começo e o outro delimitaria o final. Até este limite acreditar é saudável, dentro deste limite desconfiar é doentio.

(...) by Gi Murara

Sensações diárias de uma vida parcial

Explicando:

A idéia de perspectiva é utilizada aqui com o intuito de provocar algum tipo de sensação diferente sobre o dia-a-dia, algum gesto pequeno mas que traduz o que é a vida hoje, as pessoas e suas expectativas. "Sensações diárias de uma vida parcial" é uma bricadeira de idéias, já que seria mais normal escrever "Sensações parciais (minhas!) de uma vida diária". Ou seja, meu interesse não é medir a vida em dias, apesar do meu aniversário recente...Rs.

Dado esta explicação, agora sim...

Bejo bejo :*

Finalmente!

Depois de vários comentários do tipo "eu não sabia que vc escrevia...!", ou perguntas insistentes do tipo "O que tá faltando pra vc fazer um blog?", decidi, finalmente, colocar no ar. Let's see how it looks like :)

Espero que curtam opiniões que expresso por aqui, semanalmente, nem sempre óbvias, mas verdadeiras. A intenção é gerar alguma sensação...um nó na garganta, expectativa ou desabafo, ou até um empurrãozinho pra que a gente se mexa e toque a vida pra frente.

Sendo assim, a frase de hoje é: finalmente, cumprindo a promessa! Começo postando um textos dos meus atuais e explicando o título deste blog.

Bejo bejo :*