Quando tomaras, esperanças, indecisões, medos, conflitos, qualquer peso na cosciência ou indefinições tomam espaço, é aí que o incerto toma conta. É como me disse um moço que trabalhava numa obra uma vez, comentando se havia sido plantada grama em um canteiro: “Bem bem prantada não tá, mas que foi prantada foi, eu vi o menino aí”. Era pra ser simples.
(Pelo menos, é fato que a sensação de incerteza do hoje recebe o futuro com ares de indefinição e insegurança)
Bobagem. Aprendi a combater minhas incertezas justamente quando joguei tudo pro alto. Ao invés de insistir em alcançar o errado por vários meios, resolvi mudar o fim...não o começo.Em outras palavras, fazer de outra forma pode resolver...ou não! Às vezes a solução mesmo é fazer outra coisa.
Parei de insistir na consultoria, por exemplo. Mudei de “praia” para ver se realmente aquele hábito ruim era meu e tinha conserto, ou se era maior que eu. Hoje, no varejo, vejo que é a natureza do setor. Ainda bem, tive abstração mental para no meio da nuvem de problemas me tocar que o errado era o que estava sendo feito. Estava cansada de ouvir propostas de fazer o errado de formas inovadoras. Foi então que joguei tudo pro alto.
(E não é a intenção aqui usar a expressão “jogar tudo pro alto” no sentido ruim da palavra. Não disse “desvencilhe-se dos problemas” e ponto final. Keep reading!)
Ninguém duvida que o que de fato pensarmos em algo faz com que aquilo se concretize, não só pelo esforço mental que fazemos, mas pela maneira com que acabamos nos condicionando. Ok, o futuro é incerto...caso contrário, se chamaria por outro nome (lê-se: presente ou passado). Mas é o incerto que dá chance de ação. Nesse sentido, o incerto tem sim grau de parentesco com a verdade.
Ou seja, a menor das incertezas da vida é que nem sempre vamos estar certos, pressuposto para que a verdade venha à tona.
Complicações à parte, o vício começa é na incerteza. O incerto é natural, assim como é natural ter a chance de escolher diferente amanhã do que escolho hoje. Incerteza, porém, é um comportamento insistente por parte do seu/meu ego medroso, que, por falta de foco no que dá a chance de o futuro ser diferente, faz com que o futuro opte pelo hoje, e que você não opte por mais nada.
Depois que joguei o que julgo errado pro alto, sobraram fichas pra apostar naquilo que nuuuunca imaginei. Eu, no varejo! (PS: E agora, vendendo...!)
Quando vendi o primeiro refrigerador, foi lá que caí em mim. Alguns meses atrás, escolhi o modelo de futuro mais diferente possível do hoje que estava disponível. Hoje, o risco que assumi me dá segurança de que, desta vez, optei em fazer a coisa certa.
...
Nesse vai-e-vem da vida, a forma de se fazer já mudou muito. O triste é que a tecnologia “empoderou” tanto a forma que, de certa forma, restringiu o conteúdo.
Não há como pensar na coisa certa se a única coisa que se faz é reduzir incertezas.
Agora sim. Jogue tudo isso pro alto. É uma maneira bem mais gentil de receber o futuro.
(...) by Gi Murara
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