quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Maestria.


As melhores lições da vida a gente aprendeu com alguém que trabalha, muito.

Não digo trabalhador de mesa de escritório. Falo daquele que trabalha muito por alguma coisa. Luta em casa, na rua, no escritório, no jardim. Quantas donas de casa, lutadoras diárias.

Grandes mestres são formados por situações pecualires de vida. Pouco tem a ver a sua atividade...Muito tem a ver com seu perfil. Nunca ninguém negou que pessoas admiráveis investem horas a mais de vida – e de sono – no trabalho. Aumentaram a pressão sanguínea.

Nada tem a ver, no entanto, trabalhar muito com perfil admirável. Muitos trabalham muito, muitos jogam horas fora. Todos ralam na medida que acreditam ser acima da média. Ser admirável, no entanto, é abrir outra perspectiva.
Aos poucos, se percebe que se pode fazer muito mais, por mais gente. Interagir mais, se preocupar mais – com as pessoas. Fazer mais coisas acontecerem... tudo ao mesmo tempo. O admirável faz tudo ao mesmo tempo: tudo o que é possível, com ajuda de todos os muitos possíveis. (E, ainda sim, é procurado para novos – e constantes – problemas).

Se mostra ocupado, mas disponível.

É com ele que se pode contar quando é preciso uma luz, esclarecimento de “como”ou simples dúvida. Apresenta postura, mostra atitude e, sim... consegue arranjar tempo para este papo.

Apreda a tocar a música das pessoas. O máximo que se faz é maestrar. Não trabalhe pela orquestra, não abrace o papel do palco nem queira receber os méritos do evento. Banque a orquestra com confiança. Faça a música tocar de acordo com o papel que cada um sabe que tem.

É um pouco afastado que se percebe a maestria de fazer a música tocar conforme a situação.

É exatamente o contrário de tocar conforme a música.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Montanha-russa

Ser mulher é uma montanha-russa. Fato. Se pode ir da felicidade extrema ao desespero em questão de minutos. É como uma camada mais fina de pele...mais sensitiva e instável. Não é querer justificar mau humor.

               Já disse Vinicius de Moraes: "Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza,                                                 qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora"


Não quero brincar com a vida, só parar de provocar a razão. Não sei o porquê da tristeza, tédio ou falta de motivo. É como um dia que nasce nublado.
Quero mais dias com sóis, todos os dias. Fazer o equilibrismo e a sincronia diária cansa. É como construir novos motivos, todos os dias.

              Por outro lado, se qualquer motivo for válido ou qualquer razão bastar...não se preocupe. É fácil  
              ser razoável. Raro é ser mulher.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Despertar.

Despertar, acordar, reconsiderar o fato de poder viver tudo de novo.

Não é assim que o corpo interpreta. É um desconforto descontente o bater do despertador, que atinge primeiro a cabeça...O corpo nem sabe onde está. O sentido que volta por último é o da localização, acordado por uma preocupação, raio de sol ou barulho do tempo. Nem sempre faz sol.

A gente nem sempre sabe que dia é hoje. O corpo nunca entende as segundas feiras. Qual a diferença?
É no despertar que o dia se constitui, se reinventa. Muitos sábios comuns nos disseram: “nada como um dia após o outro”. Nunca duvidei. É o despertar esta ligação entre um dia e outro, entre um pensamento e outro, entre uma segunda e um sábado.

O despertar, em si, é sempre inusitado. Principalmente se a gente é mulher, nunca sabe o humor que demonstra, que sente, que mostra. É no branco da cozinha que o despertar começa, no copo de leite, no cheiro do pão. Manteiga quente, o friozinho da geladeira. É essa impressão que o corpo capta, aquele acordar sutil do estômago, pela surpresa do olfato (que também dormia?)

Ousaria indicar: o acordar termina nas várias cores do espelho. Quero sair dos padrões da cozinha, e (confesso), é naquela gigantesca opção de cores de maquiagem que a alma se esbalda.

Aqueles dos quais a diferença já tomou um pedaço grande da alma expandiram esse olhar... Que passou do espelho, pra cozinha... 

                     Até que um dia apareceu o frigobar vermelho, quadrado, desfilando no meio da sala.

By Gi Murara

domingo, 2 de outubro de 2011

Acasos

   Sem circunstâncias pro sim, pro não. Sem cabeça pro talvez. A questão é estar sempre pronto.

   Pronto pra quê? Não estou pronto, não estou certo, não quero este risco. De nada se tem certeza. Se a sua razão de certo é baseada em circunstâncias, prepare-se para mudar tudo - todos os dias.

   Não é de todo ruim. Pessoas melhores se recontróem, não importa a idade, cidade, posição. Pense pra frente. Muitas circunstâncias podem virar a favor...Preste atenção no desfecho.

   Não se enclausure. Viva circunstâncias, novas situações. Arrisque quando não estiver preparado. Reclame, talvez. Mas não se prepare demais. As coisas têm seu tempo...e o timing passa. A situação muda, e as coisas vão fazer outro sentido - quem sabe, até menos.

   Tente mais vezes achando que não está preparado. É na incerteza que acontecem os bons, inesquécíveis acasos. Te lembra alguma coisa?

   by Gi Murara

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Obrigada.

Se tem algo que peço a Deus, é que nunca me esqueça dos pais, filhos, netos e avós que ganhei (ou adquiri!) neste trecho que vida (ainda que parcial). Nada tem a ver com isso os os parentes reais, dos quais esquecimento é um verbo totalmente desconexo, inaplicável.

Voltando ao vocabulário possível, tanto foi feito e pouco foi percebido. Em um dos meus últimos cartões, escrevi: “Obrigada por fazer parte da lista imensa de pessoas para as quais devo muito.” O crítico neste ponto é que este é o tipo de gente que só faz seu saldo devedor aumentar, por uma série de motivos que a terra não entende mas que tudo que está perto do céu compreende perfeitamente.
Existem favores, pedidos, doações pessoais pequenas que se fazem no dia-a-dia (qualquer professor de graduação colocaria no final desta frase “...no sentido do bem estar comum”). Mas existem favores e favores, e existe o que podemos chamar de obrigação. Favor é simples, ato de duração já estimada como curta e sobre o qual não há grande discussão entre fazer ou não fazer, é fazer e pronto. A discussão mental sobre fazer ou não duraria mais do que o próprio realizar da ação.
Acontece que a obrigação é muito mais contextual, é uma característica daquele que acaba por fazer o outro obrigado. Brinco novamente, e proposital, com o paradigma do verbo obrigar.
A teoria mais aceita diz que o obrigado originou-se do verbo obrigar, no qual o outro sente-se obrigado a retribuir. Aí, por favor, eu gostaria muito de levantar a mão neste ponto...
                                                                                   “E se, simplesmente, não for possível retribuir?”
Algumas vezes não é possível retribuir. Para estes assuntos, não há moeda de troca. Tenho uma lista de pessoas as quais devo tanto e tão pouco paguei. Pessoas que, apesar do contexto, do incentivo, da vontade, me falaram mais verdade do que sabiam e muito mais do que podiam. Me deram a escolha, me ensinaram lições de avô e pequenas sutilezas.
É nestas horas que digo. Não há forma de pagamento. É uma obrigação constante, sinônimo do laço afetivo.
Certa vez, ouvi “Ao ouvir obrigada, responda – Sei que você faria o mesmo por mim”. É incrível como a gente se rodeia de abobrinhas. O autor desta frase não entenderia lhufas do significado que proponho aqui. Peço desculpas. Uma amiga já diz:  A gente espera, espera, e tudo o que acontece é que você fica velho.”
Faz parte de mim trocar obrigações por laços. É da natureza humana não poder pagar pelo que os outros já fizeram por você, pelos seus ensinamentos ou doações numa hora crítica.
Nada me tira da cabeça. Se houvesse pagamento, o dinheiro, assim como o homem,    
 havia de ter sido gerado, não criado.
Existem tantas limitações na nossa cabeça vindas dos verbos financeiros pagar, obrigar, dever, ganhar...Apenas aceito o fato indiscutível de dever eternamente a pessoas maravilhosas que se dedicaram tanto aos laços, que sobrepuseram os motivos.
É uma forma mais sutil e sincera de dizer...Obrigada.

By Gi Murara

sábado, 23 de abril de 2011

Porcelana.

Não daria tanta atenção ao título. Começo pela sapatilha, me lembro bem do paradigma Sapatilha x Quebra Nozes. (Aliás, sei que meu texto muda de forma, é mais contemporâneo)

Dança conforme a música, segue fiel e disciplinada o ritmo das notas. Enrijece a perna com força, escreve no ar acompanhando a própria partitura. Exige superação, auto controle. Apesar disso, fecha com brilhantismo, a ponta dos pés.
                                                                   [Simboliza força, paixão.]

Estala conforme o mexer dos talheres, provocado pelo atrito com o prato. Se não fosse assim, permaneceria prato de porcelana, enfeite de estante. Protegido pela cristaleira ou armário de vidro, estranha o fato de ser usado.
                                             [É fruto da ocasião. De resto, sempre foi protegido, resguardado. Polido.]

A sapatilha foi constante na minha criação. Pouco como material, muito como filosofia. O efeito prevalesceu sobre a forma, intacta. É o efeito da arte que importa. (Nunca quis ser mero enfeite da cena.)

               (...Arte viva, a sapatilha se molda, contorce, flexibiliza. Dança conforme a música, ou... dita o efeito da música.)

Traduz de tantas formas fibra, intensidade, vida.

By Gi Murara (21.04.2011)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Valor X Aposta

“ Sim, eu já joguei pôquer”.
(Na vida ou nos jogos de azar, cada aposta tem seu valor e, mais ainda, nos cabe saber o valor da aposta)
A primeira coisa que vem à cabeça quando se pensa em aposta é alguma oferta em dinheiro.  Aqui, falo da aposta como atitude. Dentro do meu jogo de conceitos, apostar é ter uma abordagem mais ousada perante um problema, ou decisão. Aposta é comportamento. Como outras coisas na vida, ou se tem ou não se tem. Simples.
Não quero simplificar como quem reduz a importância da vida, mas fazê-lo como quem vive de bem, bem resolvido. Menos carregada.
Voltando à idéia inicial, valorizamos muito pouco a atitude de apostar... Poucos se garantem.
()
Estranho. Parece senso comum, pelo que é ouvido, falado, dito, que o homem nunca produziu e recebeu tenta informação, além de gerar tanta riqueza. Mas poucos se garantem.
Poucos se garantem não por falta de dotes, mas porque se vive uma crise da atitude e uma superprocura por segurança – muito confundida com conforto.
Admiro os poucos que apostam. Que ainda discursam, que ainda cortejam. Sabem agir por si sós alguns segundos,...Esquecem do medo, da inércia. Escolhem ter menos do mesmo.
- Isto aqui é sim, uma intimação. Um desafio para se apostar mais...e, só assim, receber um pouco mais da vida.
Afinal, nada é de graça.
By Gi Murara
(11.02.2011)