sábado, 23 de abril de 2011

Porcelana.

Não daria tanta atenção ao título. Começo pela sapatilha, me lembro bem do paradigma Sapatilha x Quebra Nozes. (Aliás, sei que meu texto muda de forma, é mais contemporâneo)

Dança conforme a música, segue fiel e disciplinada o ritmo das notas. Enrijece a perna com força, escreve no ar acompanhando a própria partitura. Exige superação, auto controle. Apesar disso, fecha com brilhantismo, a ponta dos pés.
                                                                   [Simboliza força, paixão.]

Estala conforme o mexer dos talheres, provocado pelo atrito com o prato. Se não fosse assim, permaneceria prato de porcelana, enfeite de estante. Protegido pela cristaleira ou armário de vidro, estranha o fato de ser usado.
                                             [É fruto da ocasião. De resto, sempre foi protegido, resguardado. Polido.]

A sapatilha foi constante na minha criação. Pouco como material, muito como filosofia. O efeito prevalesceu sobre a forma, intacta. É o efeito da arte que importa. (Nunca quis ser mero enfeite da cena.)

               (...Arte viva, a sapatilha se molda, contorce, flexibiliza. Dança conforme a música, ou... dita o efeito da música.)

Traduz de tantas formas fibra, intensidade, vida.

By Gi Murara (21.04.2011)

Um comentário:

  1. Você é administradora mesmo? Hehe... Bom texto, e, bem interessante, a tal da filosofia da "sapatilha". :D

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