segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Despertar.

Despertar, acordar, reconsiderar o fato de poder viver tudo de novo.

Não é assim que o corpo interpreta. É um desconforto descontente o bater do despertador, que atinge primeiro a cabeça...O corpo nem sabe onde está. O sentido que volta por último é o da localização, acordado por uma preocupação, raio de sol ou barulho do tempo. Nem sempre faz sol.

A gente nem sempre sabe que dia é hoje. O corpo nunca entende as segundas feiras. Qual a diferença?
É no despertar que o dia se constitui, se reinventa. Muitos sábios comuns nos disseram: “nada como um dia após o outro”. Nunca duvidei. É o despertar esta ligação entre um dia e outro, entre um pensamento e outro, entre uma segunda e um sábado.

O despertar, em si, é sempre inusitado. Principalmente se a gente é mulher, nunca sabe o humor que demonstra, que sente, que mostra. É no branco da cozinha que o despertar começa, no copo de leite, no cheiro do pão. Manteiga quente, o friozinho da geladeira. É essa impressão que o corpo capta, aquele acordar sutil do estômago, pela surpresa do olfato (que também dormia?)

Ousaria indicar: o acordar termina nas várias cores do espelho. Quero sair dos padrões da cozinha, e (confesso), é naquela gigantesca opção de cores de maquiagem que a alma se esbalda.

Aqueles dos quais a diferença já tomou um pedaço grande da alma expandiram esse olhar... Que passou do espelho, pra cozinha... 

                     Até que um dia apareceu o frigobar vermelho, quadrado, desfilando no meio da sala.

By Gi Murara

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